62 - Oração Cósmica de Jesus, ressignificada do original aramaico.


1 - A Língua Aramaica.

O aramaico foi a língua falada por Jesus, pois era o dialeto nativo da Galileia, província onde ficava Nazaré, a aldeia onde ele cresceu e viveu — uma região que, assim como Jerusalém e toda a Judeia, havia sido conquistada e anexada pelo antigo Império Romano.

O aramaico era uma língua oriental semítica ocidental de caráter profundamente poético e místico; utiliza termos com múltiplas camadas de significado e raízes dinâmicas que evocam ações e estados de consciência, distanciando-se da rigidez literal dos idiomas ocidentais — grego e latim (Vulgata) antigos.

O grego e o latim foram os veículos linguísticos que transportaram os ensinamentos de Jesus do Oriente para o Ocidente, mas nesse processo de tradução, a essência vibracional e conceitual do aramaico foi significativamente alterada.

2 - Oração do Pai Nosso em Aramaico.

3 - Mudanças na Oração Original Aramaica de Jesus.

Ao longo dos séculos, a oração original de Jesus sofreu desvios semânticos cruciais à medida que as teologias oficiais de cada período moldavam o texto para atender às suas estruturas de poder.

Na transição para o grego antigo, no primeiro século, conceitos puramente abstratos e cósmicos foram reduzidos por falta de equivalência linguística.

Mais tarde, no século IV, em Roma, a tradução para o latim (Vulgata) e as decisões do Concílio de Niceia institucionalizaram a prece, convertendo uma prática de sintonização universal e autorresponsabilidade em uma lista de súplicas focadas no pecado, na culpa moral e na dependência de uma intermediação clerical.

4 - Restauração e Ressignificação do Original Aramaico.

Da restauração e ressignificação que será a seguir apresentada, decorre uma transição do modelo tradicional de "súplica e barganha moral" para um modelo de invocação, autorresponsabilidade e sintonização universais, substituindo as noções antropomórficas aplicadas à divindade e à vida por conceitos atuais de ordem, imanência e evolução cósmica.

5 - Análise entre Tradição e Tradução Ressignificada.

Estudiosos do aramaico, como Neil Douglas-Klotz, apontam que a língua de Jesus não trabalhava com conceitos estáticos de "Céu" ou "Pai" antropomórfico. 

A oração do "Pai Nosso" original em aramaico (Abwûn d'bwaschmâja), aponta para outros conceitos como analisaremos a seguir.

5.1. A Invocação Inicial

  • Tradição no Ocidente: "Pai Nosso que estais no céu..."

  • A raiz no Aramaico (Abwûn): Ab é a fonte geradora, wûn é o eco, o som. Significa o sopro nascendo do útero cósmico, a energia que gera o espaço e o tempo.

  • Tradução ressignificada: Essência Absoluta imanente e presente no Todo.  Capta o conceito de que o divino não é um ser antropomórfico nos céus, mas a própria origem e sustentação do tecido cósmico.

5.2. A Purificação e o Nome

  • Tradição no Ocidente: "Santificado seja o vosso nome..."

  • A raiz no Aramaico (Netqâdasch schmach): Schmâ significa som, nome, mas também luz e vibração. Santificar o nome significa limpar o espaço interior para que a vibração original divina possa ressoar em nós sem interferência.

  • Tradução ressignificada: Que se purifique tudo o que existe, para essa essência absoluta, em todos e em mim, se manifestar de forma plena. —  Traz a autorresponsabilidade de purificar o próprio ser para que a luz se manifeste.

5.3. O Reino e a Presença

  • Tradição no Ocidente: "Venha a nós o vosso reino..."

  • A raiz no Aramaico (Têtê malkuthach): Malkuthach não é um reino político ou geográfico. É o "fogo central", a presença governante que se expande de dentro para fora, a soberania do ser sintonizado com o Todo.

  • Tradução ressignificada: Que essa presença eterna e pura se manifeste, assim, agora e para sempre. —  Substitui o "reino exterior" (que gera dependência clerical) pela manifestação da presença interior.

5.4. A Vontade Ordenadora

  • Tradição no Ocidente: "Seja feita a vossa vontade, assim na Terra como no Céu..."

  • A raiz no Aramaico (Nehwê tzevjanach...)Tzevjana significa desejo profundo, inclinação natural, batimento cardíaco da Criação. Não é uma ordem arbitrária de um rei, mas a harmonia natural do universo.

  • Tradução ressignificada: Que o princípio ordenador do amor se realize na Terra, como no Todo. — Mostra que a "vontade" cósmica é, na verdade, a própria lei da gravidade espiritual: o amor ordenador.

5.5. O Sustento e o Pão

  • Tradição no Ocidente: "O pão nosso de cada dia nos dai hoje..."

  • A raiz no Aramaico (Lahma d'lbachmana)Lahma é o pão, mas na raiz aramaica significa o sustento essencial, o alento físico e espiritual necessário para dar o próximo passo evolutivo.

  • Tradução ressignificada: Que toda vida tenha sustento e alento para evolver e se coordenar nessa amorosa ordem cósmica. —  Amplia o termo "pão" para a sustentação integral de toda a teia da vida.

5.6. As Relações e o Perdão

  • Tradição no Ocidente: "Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos..."

  • A raiz no Aramaico (Waschboqlan chobaîn)Chobaîn são os nós que amarramos no passado, os erros de pontaria nas relações, os ressentimentos acumulados que bloqueiam o fluxo. Perdoar é "desatar as cordas".

  • Tradução ressignificada: Nas relações, peço perdão por todas as minhas ofensas nos conflitos, assim como eu ofereça sempre o meu perdão inesgotável e incondicional. — Tira o foco da barganha e da culpa moral e o coloca na dissolução ativa das amarras energéticas através do perdão contínuo.

5.7. A Ilusão e o Esquecimento

  • Tradição no Ocidente: "E não nos deixeis cair em tentação..."

  • A raiz no Aramaico (Wela tachlân l'nesjuna)Nesjuna não é a "tentação" moralista (carne, pecado). Significa a ilusão do ego, o esquecimento da nossa origem divina, a distração que nos faz flutuar na superfície da matéria.

  • Tradução ressignificada: Que eu nunca esqueça da essência eterna e pura, que também eu sou, como presença e imanência da Essência Absoluta que habita em mim. — Define "tentação" de forma madura: o esquecimento de quem realmente somos.

5.8. A Libertação e o Fechamento

  • Tradição no Ocidente: "Mas livrai-nos do mal. Amém."

  • A raiz no Aramaico (Ela patzan min bischa)Bischa não é o "demônio" personificado. É o erro de ritmo, a desarmonia, a ação fora do tempo, o sofrimento gerado pelo desequilíbrio interno.

  • Tradução ressignificada: Que o sofrimento e a maldade, com a purificação e a harmonia progressivas, deem lugar à plenitude da bem-aventurança e do amor. — O "mal" deixa de ser uma entidade externa para se tornar um estado transitório de desarmonia que é dissolvido pela evolução progressiva.

6 - Composição entre Tradição e Ressignificação do Aramaico.

Pai Nosso que estais nos Céus.

Essência Absoluta imanente e presente no Todo.


Santificado seja o vosso Nome.

Que se purifique tudo o que existe, para essa essência absoluta, em todos e em mim, se manifestar de forma plena.


Venha a nós o vosso Reino. 
Que essa presença eterna e pura se manifeste, assim, agora e para sempre.

Seja feita a vossa Vontade, assim na Terra como no Céu.
Que o princípio ordenador do amor se realize na Terra, como no Todo.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Que toda vida tenha sustento e alento para evolver e se coordenar nessa amorosa ordem cósmica.

Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
Nas relações, peço perdão por todas as minhas ofensas nos conflitos, assim como eu ofereça sempre o meu perdão inesgotável e incondicional.

Não nos deixeis cair em tentação.
Que eu nunca esqueça da essência eterna e pura, que também eu sou, como presença e imanência da Essência Absoluta que habita em mim. 

Livrai-nos do mal. Amém. 
Que o sofrimento e a maldade, com a purificação e a harmonia progressivas, deem lugar à plenitude da bem-aventurança e do amor.

7 - Oração Cósmica de Jesus de Nazaré - Prática de Meditação por Declamação.

Depois de ouvir cada trecho, nas pausas, repita em voz alta o trecho ouvido com atenção presente e plena. 

A "Técnica de Meditação e de Autocura" pode ser simultaneamente aplicada (vide detalhes no item a seguir - Sabia Mais).

8 - Saiba Mais:

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