47 - Técnica de Meditação e de Autocura com Arteterapia - A Arte no fluxo da Vida Cotidiana.

 


Olhos e Respiração

  • Com os olhos: Você pode optar por mantê-los fechados (apenas percepção auditiva) ou abertos, mirando a tela ou o palco (percepção auditiva e visual), de acordo com as modalidades de expressões artísticas percebidas.

  • Com a respiração: Pratique uma respiração lenta e profunda, utilizando técnicas de terapia respiratória.



Percepção e Foco da Atenção

  • Foco: Traga sua atenção para o fluxo de pensamentos e sentimentos, retrocedendo até a sua origem, a fonte e o centro da consciência. O objetivo é alcançar o estado de consciência de si, repousando nesse centro.

  • Concentre-se na autoconsciência: Direcione sua atenção para a fonte do "eu", onde pensamentos e sentimentos emergem. Torne-se consciente dessa fonte e das manifestações que dela emanam, a partir das modalidades de expressões artísticas que estão sendo percebidas.

  • Divida a atenção: Mantenha dois focos simultâneos. Um na consciência de si e outro nas modalidades de expressões artísticas percebidas.

  • Lidar com a divagação: Se os pensamentos começarem a divagar, perceba isso de forma autoconsciente, sem resistência. Simplesmente retorne o foco da sua atenção para a consciência de si e para a percepção das expressões artísticas. Volte a atenção pela trilha dos pensamentos e sentimentos, repousando novamente em sua fonte, o centro da consciência.



Posturas

Você pode adotar posturas diferentes, dependendo da modalidade de expressão artística:

Deitado:  Em savasana (de costas) ou de lado. Com a mão direita sobre a testa (plexo frontal) e a esquerda sobre o coração (plexo cardíaco) ou vice-versa.




Sentado: Com a coluna ereta e as mãos sobre as pernas. Segure cada dedo da mão esquerda com a mão direita, de forma sequencial, por alguns minutos. Você também pode tocar o centro da palma da outra, depois unir as mãos, entre os polegares e os indicadores. São práticas discretas que você pode realizar mesmo em público, enquanto desfruta de qualquer expressão artística. 

Com uma mão segurar polegar da outra

Com uma mão segurar o dedo indicador da outra

Com uma mão segurar o dedo anular da outra

Com uma mão segura o dedo médio da outra

Com uma mão segurar o dedo mínimo da outra

Com uma mão tocar o centro da palma da mão da outra

Unir as mãos, entre os polegares e os indicadores

Outra opção para a postura deitada de lado é com as mãos justapostas (Anjali Mudra ou Pranamasana) ou com a mão direita segurando um celular enquanto a esquerda repousa sobre o coração (plexo cardíaco), o topo da cabeça (plexo coronário) ou outra região escolhida.


Em uma adaptação das posturas anteriores, você também pode usar a técnica de toque pelas mãos ou autoimposição de mãos.









Prática Contínua integrada na Vida Cotidiana

Vida como arteterapia

Com o tempo, a técnica pode ser praticada durante as atividades diárias, mantendo o foco da atenção em duas direções simultâneas:

  • Direção centrípeta: 

Concentre-se na consciência de si, no centro do "eu" e nos pensamentos e sentimentos que dele emanam, cultivando um estado de auto-observação e autoconsciência.

  • Direção centrífuga: 

Perceba as circunstâncias externas por meio de todos os sentidos. Observe o movimento das ações e as percepções, julgamentos e intenções que surgem na sua consciência.

 

Nessa prática contínua, as circunstâncias no viver passam a ser consideradas o cenário do drama da arte da vida. O objetivo é encontrar paz, bem-aventurança, autocura e harmonia interior, mesmo diante dos desafios, conflitos e sofrimentos inerentes ao mundo. 

A rede de circunstâncias da vida, que nos são apresentadas a cada instante, combinam determinismo (causalidade) e indeterminação (casualidade). Essa teia de circunstâncias nos afetam no fluxo da arquitetura da experiência, que vai das sensação-percepções até os ideosentimentos. 

A partir do domínio somático e do meio ambiente — o nosso "mundo externo" —, derivam as impressões que constroem o nosso "mundo interno" - as construções de ideias e sentimentos (ideosentimentos).

A combinação dessas impressões internas e externas desenham quadros de expressões artísticas magníficas. 

Com essa compreensão, entendemos que o viver é sempre a construção e o desfrute de expressões artísticas que cocriamos e nas quais estamos imersos. 

Viver é, portanto, tanto uma obra de arte, quanto o desfrute contínuo de expressões artísticas, das quais sempre despontam magnífica beleza, quando estamos aptos a percebê-la, mesmo nos quadros transitórios aparentemente mais obscuros, mesmo em meio à separação, conflito, sofrimento, injustiça e maldade.

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