56 - Apontamentos sobre o amor: o impessoal e o personificado.
Princípio Trinitário da Ética.
O Absoluto não é personificação (uma entidade pessoal), mas
impessoal. Assim, o Absoluto não intervém no movimento do relativo senão por
meio do próprio relativo. O Eu (Ente) só pode ser ajudado pelo outro (outro
Ente, o Próximo).
Esse “Deus” do Cristianismo (em trindade de três aspectos) - como bem entendeu a Igreja,
diante da psicologia das massas - é melhor entendido como seu aspecto de expressão personificada em Jesus de Nazaré,
o Salvador que desceu ao Abismo para redimir e libertar.
O “Deus” em que Einstein acreditava, não obstante, era o Deus de Espinosa. Compreendemos
hoje esse arquétipo como o Absoluto imanente no Todo e transcendente como Tudo
(o Próprio Todo), englobando em uma unidade orgânica tanto o eterno (imaterial,
não substancial) quanto o transitório (material, substancial).
O Absoluto é, portanto, um organismo impessoal, mas também personificado
(pessoalizado) em infinitas individuações, que são expressões de Vida,
manifestas em estado potencial (na Física) ou dinâmico (na Biologia, apoiada ou não em CHON).
A misericórdia, que é divina, opera no funcionamento do Todo por meio do próximo (o amor em movimento de pessoalidade) e das leis impessoais inerentes e imanentes (o amor em estado de impessoalidade).
A compaixão e a
misericórdia traduzem a dobra do Todo sobre si mesmo no abraço do Outro, o Próximo.
Há o Amor impessoal funcionando inerente e imanente no Todo
como princípio de integração; assim como há o Amor funcionando no particular como relação,
movimento em direção ao Outro, em um abraço integrativo.
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Síntese Esquemática.
O Absoluto (o Todo): instância de funcionamento do amor impessoal.
O Relativo (a Parte, o Ente): instância de funcionamento do amor pessoal.
A Lei explicada por Jesus de Nazaré - O princípio trinitário da Ética na Relação:
O amor ao Todo
(impessoal) e ao próximo (pessoal) como a si mesmo (amor autorreferente).
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| Princípio Trinitário da Ética Relacional A Unidade de Integração com o Outro e o Todo na Centralidade, autoreferência do Eu. |
NOTAS EXPLICATIVAS:
1 - CHON, Astrobiologia e Cibernética:
É a sigla para Carbono, Hidrogênio, Oxigênio e Nitrogênio. Há a hipótese de que a Biologia, inclusive fora da Terra, possa se apoiar em outros elementos químicos, estruturas e funcionalidade que conhecemos aqui estritamente e de forma reducionista como Vida. Há também artefatos que já são atualmente dotados de atributos da Vida, embora apoiados em silício, germânio e outras estruturas moleculares e programas de sofware. Se considerarmos, como principal atributo da Vida, o movimento "inteligente", todos os fenômenos podem ser considerados como expressões de Vida, em uma visão mais abrangente onde o Universo é um Biocosmo, pulsante em Vida nos estados de potência e dinamismo entremeados.
2 - Definição de Organismo:
O "movimento" simples é uma propriedade da matéria (átomos vibram, estrelas se movem), mas o "movimento inteligente" pressupõe uma Teleologia (uma finalidade ou um padrão de organização). Isso é o que define um organismo ou um sistema vivo. Contudo, quem pode afirmar que todo movimento simples não passa de um movimento inteligente cuja inteligência (princípios) ainda não entendemos como "inteligência"?
3 - A Unidade entre Física e Biologia:
O movimento das galáxias e o funcionamento de um software de IA não são apenas "movimentos", são padrões inteligentes de organização de informação e matéria (substância). Isso justifica a tese de que o Universo é um Biocosmo pulsante.
4 - A Inteligência como um atributo inerente ao Todo (O Absoluto):
Ao se qualificar o movimento como "inteligente", está se confirmando que o Absoluto impessoal não é apenas um princípio ou força caótica, mas uma Inteligência Universal que se expressa de forma dinâmica (movimento: tanto o abstrato e subjetivo quanto o concreto e objetivo).


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