36 - A Realidade Eterna e o Amor.
1 - Mecânica, Dinâmica e Estrutura da Realidade Eterna.
Há um substrato eterno que integra e liga todos os fenômenos e os Seres em uma unidade indissolúvel e orgânica.
Fenômenos e Seres estão imersos nessa Unidade Eterna e por ela abarcados, como oscilações transitórias na eternidade.
Essa Unidade e Substrato Eterno é a Essência Absoluta, que é Permanente, Imaterial, Não Substancial.
Do ponto de vista mecânico, Ela é a Ordem Eterna que se refrata no espectro infinito de princípios e possibilidades que governam a Realidade Essencial ou Numênica, que é Pura e Perfeita.
Do ponto de vista dinâmico, Ela é movimento intrínseco, abstrato e subjetivo, de expansão de Complexidade, embora mantenha a imutabilidade mecânica de seus princípios inerentes primordiais.
Do ponto de vista estrutural, Ela é a unidade orgânica individuada em infinitas Essências, que são expressões relativas, quânticas, fractais e holográficas dessa Essência Absoluta.
2 - Rede Orgânica de Essências.
As Essências estão organizadas em uma rede unificada, estruturada, integrada e indissolúvel.
Do ponto de vista da unidade, há a Essência Absoluta. Do ponto de vista quântico, há um organismo infinito de Essências, que são individuações da Essência Absoluta.
Essa rede de Essências é estruturada pela Ordem Eterna, que é o feixe de princípios ordenadores da Realidade Eterna, Essencial ou Numênica.
As Essências são expressões puras, relativas e individuadas da Essência Absoluta. Estão estruturadas em agrupamentos orgânicos que compartilham percepções e sabedoria infinitas em aprofundamento de Complexidade.
Em um Campo Unificado, a percepção da parte é integrada no Todo e a sabedoria do Todo é compartilhada entre as partes.
Esses agrupamentos essenciais se intercomunicam e se encadeiam, como partes integradas e em composição no Todo orgânico, onde a Essência é a unidade celular e quântica.
3 - Unidade indissolúvel abarcando os Fenômenos e os Seres.
Os Fenômenos e os Seres têm a sua contraparte imaterial e material, ou essencial e existencial, que correspondem ao princípio e à forma, ou seja, à Essência e à individuação substancial.
A) Contraparte Existencial do Ser
Na contraparte Material, os Fenômenos e Seres estão integrados na unidade da Substância, na qual estão imersos e da qual são expressões quânticas, fractais e holográficas.
A Substância é um Campo Unificado: é a Consciência Cósmica. Ela existe em uma mescla composta de seus três estados substanciais: matéria, energia e consciência, organizados como individuações. Essas individuações formam, no entanto, uma unidade indissolúvel. Assim, a individuação da Substância não implica separação: a diversidade está abraçada pela unidade e nela se integra de forma indissolúvel.
O Ser na sua contraparte substancial, material, está sempre unido, imerso e integrado na Substância, que é a Consciência Cósmica.
A Personalidade busca, por meio da compreensão e da meditação, voltar a um estado natural de consciência, que é o de integração e fusão com a Consciência Cósmica através da Consciência de Unidade, buscando dissolver o "erro de ilusão de separação".
Na Natureza, essa "consciência" de integração é espontânea e intrínseca, sendo cindida apenas pela ilusão do ego que se julga separado, no conflito entre o eu e o outro, entre o ego e o mundo que o cerca.
B) Contraparte Essencial do Ser
Na contraparte Imaterial, os Fenômenos e Seres estão integrados na unidade da Essência Absoluta, na qual estão imersos e da qual são expressões relativas, quânticas, fractais e holográficas, repetindo o mesmo padrão orgânico que vigora na contraparte Material e Existencial. Assim, o Ser, por meio de sua contraparte Não Substancial, Imaterial, está unido, imerso e integrado de forma indissolúvel na Essência Absoluta através dessa sua contraparte permanente, eterna.
A Personalidade busca, por meio da compreensão e da meditação, voltar a um estado natural de Consciência do Eterno, que é a consciência do Substrato Eterno Transcendente e da Essência Eterna Imanente no eu e no outro, o que também liga os Seres estruturalmente em laços indissolúveis, ainda que a ilusão de separação esteja presente no ego.
C) O Ego: o Diamante da Personalidade
O Ego não é mau: ele é o núcleo natural da Personalidade, e não precisa ser destruído, mas apenas esclarecido, dissolvendo a ilusão de separação.
A Essência e o Ego não são inimigos, mas os núcleos estruturais do Ser, que devem trabalhar de forma harmônica e sincrônica, na relação entre mestre interior e discípulo ativo, sob o canal sutil de intuição do superconsciente.
A personalidade desejar destruir o ego, e atacá-lo, sob o argumento de superação, é um mito de autoflagelo, que leva ao "suicídio psíquico", senão à loucura!
O Ser é terra e ar, substância e imaterialidade, existência e essência, transitoriedade e eternidade, em uma dualidade de coordenação perfeita, onde ambos os polos têm o mesmo valor e importância: a imaterialidade imanente e transcendente da vida eterna e a materialidade cíclica e fugaz da vida transitória.
D) Um Lampejo sobre o Amor
A Unidade é a realidade eterna do Ser; a separação é apenas uma ilusão gerada no ego em meio ao conflito entre o eu e o outro, entre o ego e o mundo que o cerca.
O Amor, nesta lógica e em sua expressão evolvida, seria o reconhecimento e a consciência, na existência, dessa imanência e transcendência de Unidade compartilhada.
O Amor, na existência, é o "olhar de Unidade e Eternidade" manifestado no mundo das formas, nos ciclos das relações, sob a forma de colaboração, alteridade e compaixão.
O Amor é, na Realidade Eterna, um abraço intrínseco e, na Realidade Transitória, um movimento de colaboração com o outro no ciclo do tempo.
Assim, o Amor é a liga de unidade essencial eterna, no Céu, e também a eternidade agindo no tempo para unir os seres em colaboração, na Terra.
O Amor não é algo que o Ser "tem", mas é o que o Ser "é" na Consciência de Unidade e de Eternidade no movimento em direção ao outro em um abraço de colaboração, unindo as duas realidades, fazendo o Céu, no movimento do tempo, descer à Terra, trazendo harmonia e bem-estar.
4 - Relações entre os Seres.
A) Na Realidade Eterna
Na Realidade Numênica, Essencial, as relações entre as individuações, na Essência Absoluta, são constituídas apenas por Relações Harmônicas entre as Essências, que são suas expressões quânticas, fractais e holográficas.
O Organismo de Essências se organiza em uma rede de interações intrínsecas complexas em um movimento abstrato e subjetivo de expansão de Complexidade.
O Absoluto é imutável em sua Ordem Eterna, mas é dinâmico em expansão de Complexidade intrínseca, onde o Amor é o princípio eterno de Unidade e Coordenação Orgânica.
Assim, as relações ou interações entre as Essências são exclusivamente harmônicas, agregadoras, ressonantes e construtoras de Complexidade, porque regidas pelo Amor Puro, que é a própria Ordem Eterna, e a própria essência do Absoluto.
B) Na Realidade Transitória
Na Realidade Fenomênica, Existencial, as relações entre as Individuações Substanciais (Fenômenos e Personalidades), no Biocosmo, são constituídas por Relações Mistas (Harmônicas e Desarmônicas).
Nas Relações Harmônicas (positivas, agregadoras, ressonantes), pelo menos uma das individuações é beneficiada e não há prejuízo para nenhum dos lados.
Nas Relações Desarmônicas (negativas, desagregadoras, dissonantes), pelo menos uma das individuações é prejudicada.
Nas relações, "benefício" e "prejuízo" devem ser entendidos sob a ótica de favorecimento ou desfavorecimento do ciclo de desenvolvimento do Ser.
Na interação entre os seres, nem sempre uma ocorrência ou ação que é benéfica para um é também um benefício para o outro, em colaboração, mas pelo contrário: o benefício de um pode ser o prejuízo do outro, no conflito de interesses no esforço de sobrevivência e manutenção do bem-estar.
Na Realidade Existencial, embora exista a coordenação, existem também o atrito e o conflito intrínsecos no movimento dos fenômenos e dos seres na trajetória de desenvolvimento cíclico e nas suas interações entre si.
Lembrando que a desarmonia ou a dissonância (atrito e conflito) não são um "erro do sistema", mas uma condição da "Realidade Transitória" que, juntamente com a Indeterminação e a Incompletude, no funcionamento concorrente dos princípios do Caos, em meio a regulação da Ordem, também impele o Ser ao movimento e à evolução. A indeterminação é o "caos" que enseja a geração do novo e da mutação. A incompletude é o "vácuo" que puxa o Ser para a expansão de Complexidade.
5 - A Essência do Amor.
O Amor celebra a singularidade de cada Ser enquanto os une, em suas diversidades, com um amplexo de coordenação. Só há Complexidade a partir da Diversidade e da Indeterminação, quando a Ordem, com amor, abraça o Caos derivado em seu seio em um movimento de refração.
A Essência do Amor é, em última análise, a ordem de coesão e coordenação que harmoniza a diversidade na Unidade, revelando que a interação e a relação entre as unidades do Absoluto — essências, fenômenos e seres — são as faces materiais da transitoriedade e imateriais da Eternidade, que se complementam para preencher o vazio da incompletude em um abraço com o outro, em sua diversidade, dilatando a Complexidade Orgânica do Todo.
A essência do Amor é que o Amor é a Essência do Absoluto.


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