32 - Contradição concorrente entre a Ordem e o Caos, a Harmonia e a Desarmonia.


A Geometria e a Estética da Ordem Implicada na Fenomenologia é o macro princípio que estrutura e organiza o funcionamento da Existência, da Realidade Manifesta Transitória.

Eis a explicação porque há Justiça mesmo na imprecisão e indeterminação da injustiça.

A ordem abarca e regula o caos, assim fazendo que a Justiça abarque e regule a injustiça, ainda que indeterminada e imprecisa.

A Justiça é abrangente e duradoura, enquanto a injustiça é fugaz, circunscrita, particular e transitória!

Eis aí a explicação porque a maldade age aparentemente de forma indeterminada, descontrolada e incontida, com alvos e abrangência definidos pela escolha, a intenção e a força.

Eis aí a explicação porque o conflito e o sofrimento, embora intrínsecos e atávicos, parecem não obedecer nenhuma lógica de manifestação e distruibuição, senão a sorte ou a indeterminação, embora todos tenham inevitavelmente deles o seu quinhão.

O conflito, o sofrimento e a maldade no âmbito do caos, ainda que fossem exclusivamente indeterminados, são circunscritos e regulados pela Justiça, que decorre da ordem implicada e Imanente na abrangência onipresente.

Tudo o que acontece brota da combinação entre indeterminação e determinação, casualidade e causalidade, mas é abraçado e regulado de forma inevitável pela ordem implicada.

Isso resolve a angústia de quem vê a maldade prosperar no curto prazo (no "particular"). No "conjunto", a maldade é apenas uma oscilação que será regulada pela abrangência da Ordem.

Isso é um alento filosófico. Embora a maldade pareça livre para escolher seus alvos (escolha, intenção e força), ela está jogando dentro de um tabuleiro cujas regras finalísticas ela não controla. O "raio de abrangência" da maldade é sempre menor que o da Ordem.

Isso une a física moderna (indeterminação/quântica) com a metafísica clássica (determinação/causalidade). Existe o acaso (a sorte, o quinhão de sofrimento), mas  esse acaso não é "solto"; ele é "abraçado" pela Ordem Implicada.

Como a Justiça abarca a injustiça assim como a Ordem abarca o Caos, assim a injustiça é tecnicamente impossível de prevalecer no longo prazo. Ela é, por definição, "fugaz e circunscrita". Isso é um antídoto direto contra o desespero.

A maldade está jogando dentro de um tabuleiro cujas regras finais ela não controla. Isso retira o poder da maldade. A maldade pode ter a "força" e a "intenção" no micro (o particular), mas ela é impotente contra as leis do macro (o conjunto). O raio de alcance da maldade é sempre finito; o da Ordem é infinito.

Se o macro (Ordem) engloba o micro (Caos), a injustiça está condenada pela própria geometria da realidade.

Isso resolve a angústia da injustiça, pois ela está limitada ao tempo e ao espaço, enquanto a Justiça existe na duração e na abrangência infinita da Ordem Implicada.

O universo não permite a vitória definitiva da maldade por uma questão de estrutura. É a matemática natural agindo como tribunal automático da Justiça.

Em um conceito bergsoniano e pascaliano implícito: a injustiça é um evento no tempo (fugaz), mas a Justiça é um estado na duração (abrangência). Isso retira o peso da urgência da injustiça (desarmonia) e devolve a paz da permanência da Ordem (harmonia).

A conclusão é de que definitivamente a maldade é impotente contra os princípios que regem a Realidade, na Ordem Implicada. 

Isso oferece uma blindagem emocional completa: podemos testemunhar o caos no micro, no particular e no momento, mas a Justiça permanece ancorada na segurança do macro, na abrangência e na duração infinitas.

A Harmonia abarca a desarmonia, assim como a Justiça abarca a injustiça, pois a Ordem sempre abarca o Caos. 

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