24 - Poema e Reflexões sobre a Amizade: Ante a Perda de Amigos.

Do Luto à Transcendência: A Geometria do Afeto

Poema e Reflexões sobre a Amizade: 

Ante a perda de amigos.

A Vida Transitória.

A Vida Eterna.

A Beleza da Vida e das Relações.

Diante da perda, o que resta quando a forma física se desintegra? Este ensaio é um convite para mergulhar além da superfície fenomênica da vida. Entre a imagem da fragilidade de uma flor e a eternidade do Absoluto, exploramos como a nossa personalidade desenha a amizade através de cores ideosentimentais.

Navegaremos pelo campo de batalha das relações, pela evidência da ética da justiça emanada do interior e, finalmente, pela redenção de descobrir que, na Essência Eterna, o reencontro não é uma promessa futura — é a realidade presente.

Não é uma despedida; é o reconhecimento de que o Amor é uma liga imorredoura.

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Poema e Reflexões sobre a Amizade: 

Ante a perda de amigos.

1 - A Vida Transitória.

1.1 - A Flor e o Contraste: O cenário da vida.

A vida é frágil e delicada, como uma flor! Entre ciclos de criação e destruição, nascimento e morte, flue como expressão fenomênica do Ser.

O Destino, sob a indeterminação, transcorre, marcado assim por contrastes de sentimentos.

Alegria e dor, conforto e desafio, desejo e expectativa, resultado e fracasso, confiança e frustração, superação e sofrimento, coordenação e conflito, amor e maldade.

É certo que o amor é uma realidade eterna, mas o sofrimento existe. E mesmo a maldade existe como uma disfunção da sanidade e do equilíbrio, no egoísmo, ante o cenário de conflito, fortuito ou estrutural. Mas o amor é eterno, enquanto o conflito, o sofrimento e a maldade são transitórios, fugazes, embora potencialmente intrínsecos na indeterminação das relações entre os Seres.

Laços se forjam e se destroem, se apertam e se desconstroem, e são preciosos e ricos, como uma joia única de valor inestimável, enquanto duram nos fluxos do espaço-tempo.

1.2 - O Campo de Batalha da Vida.

Defesas internas e vigilância externa relaxam com a doença ou a decrepitude, ou mesmo a desatenção, sob o ataque caótico do micro e do macro, do interior e do exterior, no contexto das relações. 

A Vida é entremeada pelo conflito e pelo sofrimento, e ocasionalmente até mesmo pela maldade, que ceifa esperanças sem necessidade, em um acesso de loucura.

As ameaças à Vida vêm de fora e de dentro, do contexto adverso e da tensão do conflito, na competição pela energia que a sustenta.

1.3 - A Coloração da Relação: Como a Personalidade Desenha a Amizade.

A Personalidade é um aglomerado complexo e multifacetado, intempestivo, volúvel, uma mistura instável, onde se mesclam diversas emoções e sentimentos.

A personalidade não é, assim, um bloco constante e homogêneo.

No intuito de identificação do favorável e do contrário à Vida - para buscar ou se afastar - a Personalidade tende a classificar - circunstancial e culturalmente - sob categorias ideosentimentais o que concebeu e sentiu, no histórico de relação com cada ser ou expressão fenomênica.

Assim, amizade e inimizade são conceitos que derivam das categorizações de coloração ideosentimentais nos momentos das relações com outros seres e expressões fenomênicas.

É o destaque de permanência de fruição de momentos de amizade que identifica e faz um amigo, que esquece um pouco de si para pensar também no bem pessoal do amigo.

Associamos a cada Ser um perfil, que nos dá expectativa de como se comportará conosco, pelo histórico. Assim, os seres e expressões fenomênicas, com os quais temos relações, são naturalmente classificados, na dualidade, como bons ou maus, amigos ou inimigos, conforme sejam mais favoráveis ou ameaças reais ou potenciais aos nossos interesses e preservação.

1.4 - O inimigo, o falso amigo e a resistência necessária.

O inimigo, ou mesmo o falso amigo, é alguém que em outro contexto e história poderia ter sido um amigo. Um inimigo guarda o potencial de se tornar um amigo nas reviravoltas da vida.

Deixemos sempre a porta do coração aberta, embora a vigilância seja sempre necessária em relação ao que nos causa o mal e o desconforto, recomendando o afastamento, se não há possibilidade de mudança estrutural.

O inimigo é um potencial amigo, que foi transformado assim pelo contexto de conflito de interesses ou mesmo um surto ou contaminação pela loucura do juízo, que se traduz em maldade.

O falso amigo pode ser pior que o inimigo. Um falso amigo é sempre alguém procurando se curar do vazio, da prepotência e do egoísmo, e que o destino colocou temporariamente também perto de você, como um contraste na sua tela de expressão e desenho de Vida.

Em um encanto e ilusão de engano, você pode abrir as portas do seu coração para um intruso que não quer o seu bem ou o ideal de coordenação e altruísmo, mas apenas o proveito próprio, motivado apenas por egoísmo, travestido de amizade.

Nos conflitos da vida, a sedução, o engano e a mentira podem ser armas poderosas e astutas que venham a lhe derrubar. A vigilância é também recomendável. Não devemos, no entanto, mergulhar no isolamento.

A experimentação das relações é um aprendizado e um evolvimento rico e necessário, sempre belo e precioso, sob uma ótica panorâmica do destino, na determinação ou indeterminação do encontro entre os seres nas relações transitórias, em seus ciclos mais fugazes ou mais duradouros.

1.5 - A Autoproteção e a resistência às ameaças.

Venha essa ofensa à vida do interior ou do exterior, do micro ou do macro, no contexto das relações:

O remédio é cabível diante da doença, a guerra diante da invasão, as medidas protetivas diante do escalonamento da ofensa ou ameaça ao bem-estar e à vidaassim como é cabível a busca da justiça diante da injustiça. 

A resistência diante da injustiça e diante da ofensa ou ameaça ao bem-estar e à vida é também cabível, e mesmo necessária. 

O Satyagraha deve ser o guia diante do conflito, e o senso de justiça deve ser o fundamento de toda a ação. 

1.6 - A Justiça.

Embora a justiça seja um conceito relativo, em construção, abrangendo progressiva coordenação em unidades coletivas de relação, é algo que precisa ser cultivado e edificado como balizador do conceito em construção: Ética e Estética nas Relações, sob a inspiração sutil da Essência Eterna e Pura, que habita, como individuação do Absoluto, em todos os Seres.

Assim, a bússola e os princípios éticos são internos, imorredouros, eternos, fomentados no interior do Ser. 

Não há apenas julgamento social externo; o próprio inconsciente arcaico do Ser rejeitará os registros de ações e seus componentes ideosentimentais que contrariaram os princípios da Ética, Contextual e Aplicada, emanada do interior essencial do Ser. 

Esses registros indigestos podem se estratificar, pela reincidência, em verdadeiros tumores cancerosos, que exigem saneamento e reparação, manifestando-se em doenças psicossomáticas, que afligem as expressões substanciais do Ser. 

A justiça é essencialmente interior, onipresente, onisciente, contextual, relativa, aplicada, infalível e inderrogável, pois o processo de seu desenvolvimento se dá, sobretudo, no âmbito interno do próprio Ser. 

A justiça se aplica de dentro para fora - do Psicossomático para o Social - onde o Ser, nas suas expressões transitórias, colhe, interna e externamente, os frutos do que semeou com suas intenções e ações.
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2 - A Vida Eterna

A vida eterna é a condição de essência, que, na não substancialidade, transcende o tempo e o espaço, os ciclos de criação e destruição próprios de expressões fenomênicas, que são substanciais.

Nesta condição de vida eterna, todos os seres permanecem unidos em essência e como Essência.  

Não há separação, mesmo que as personalidades se desintegrem e se reconstruam na sucessão de existências.

Em essência, os seres estão sempre unidos — especialmente os amigos — nos laços de expansão de complexidade, nas vivências de amor e nas relações das dimensões da substancialidade.

Para os amigos não há separação, mas só reencontro, sob o substrato eterno do amor puro.
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3 - A Beleza da Vida e das Relações

3.1 - A Herança valiosa de Complexidade do Transitório para o Eterno

O Transitório é fugaz, mas extremamente belo em sua indeterminação e complexidade, criando o novo, o inusitado, como uma Flor Preciosa, embora a sua duração passageira.

O Transitório enseja que o Essencial e Eterno assimile o seu incremento de Complexidade. Assim, o Transitório é tão belo quanto o Eterno!

A Vida do Ser é bela e preciosa pelos seus contrastes. Entre o eterno e o transitório, o passageiro não é feio, desprezível, negativo ou mau, enquanto o eterno é belo, aprazível, positivo e bom. Esse julgamento é um reducionismo de perspectiva! 

Não há, no transitório, o bem e o mal absolutos, senão em uma relatividade de perspectiva. O bem de um Ser pode ser o mal de outro na disputa da sobrevivência e da manutenção da Vida. 

A alegria de um pode ser a miséria do outro, em uma relação de conflito. No entanto, com a evolução e o aprendizado - seja de forma natural ou consciente - existe a possibilidade da coordenação, em grupos, na busca de maior economia de energia e bem-estar. Assim surgem os organismos, as organizações, as sociedades, as famílias e as amizades.

3.2 - O Valor da Amizade

O que vale uma amizade na transitoriedade das relações? Vale tanto quanto o eterno. Quem não renunciaria a tudo ou daria tudo o que é ou tem para salvar um amigo, no que sentimos de mais verdadeiro?

Os ecos da amizade verdadeira permanecem nos substratos mais profundos do subconsciente arcaico do Ser, como registros do amor puro, enriquecendo e embelezando o destino.

O Amor é Eterno, sendo o espelho da Unidade Orgânica do Absoluto, que vigora assim em seu substrato, em todo tempo e lugar, em todos os seres e fenômenos, entre o amanhecer e o ocaso da vida de tudo o que existe.

O Amor permeia o Absoluto - ou mesmo é o próprio Absoluto. E a amizade é inseparável entre os Seres, na sua contraparte eterna. As formas passam, na vida transitória, nos seus embates e nos ciclos, mas a essência permanece em vida eterna, e essas relações, que de fundo são eternas, se enriquecem, na complexidade da existência.

3.3 - A Redenção: Amor e declaração de amizade eterna.

Um amigo é chamado na transitoriedade da vida, mas a convivência, na contraparte essencial, permanece na realidade eterna, no amor, que é a essência da Vida e a essência do Todo.

A amizade é como uma cor e uma flor, no tempo, presente permanentemente na tela e no jardim da essência. No Absoluto, a convivência ou o reencontro não é algo que acontece, mas algo que sempre "É", na contraparte essencial dos Seres, que permanece em vida eterna.

Você perdeu apenas a forma transitória de expressão do seu amigo, que permanecerá como um eco na sua memória e existente temporariamente em níveis de densidade mais sutis, para depois retornar sob nova forma e expressão em contextos diversos do Destino.

Mas, a Essência Eterna e Pura - o Ser Real e Permanente que habita seu amigo - sempre esteve, está e estará contigo, enquanto individuação da Essência Absoluta, que você também é. Vocês estão eternamente unidos na Unidade Orgânica do Absoluto. O amor é a liga imorredoura que os une!

Em minha existência transitória eu fui falho e cometi muitos erros ou omissões em desfavor da sua paz, da sua alegria e da sua harmonia, mas eu sou seu amigo, hoje e sempre! 

Estamos sempre juntos! 

Essa nova transição não é uma despedida!
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Veja abaixo o vídeo de narração desse artigo.

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