14 - Transmutação dos Nódulos de Conflito no Subconsciente Arcaico.
A Luta e o Sofrimento: A Herança do Biocosmo
O conflito é
inerente e intrínseco ao nosso biocosmo (Universos). E o conflito gera
sofrimento, também endêmico neste biocosmo. Assim, ainda que resolvido o
conflito da disputa e da conquista da energia necessária à manutenção da
sobrevivência, como vemos na "luta por sobrevivência na natureza", na
humanidade despontam outras espécies de conflitos mais elaborados na relação
entre os seres.
Na humanidade, o conflito nas relações deve ser resolvido com a equanimidade e a equidade possíveis, de forma "negociada", como se espera nos extremos de uma Guerra ou em um Conflito Judicial.
O estado de conflito no mundo, no âmbito dos seres sencientes, particularmente na Humanidade, às vezes, exige o uso da força, traduzida em ações de reação, prevenção e contenção, na preservação do Direito e da Liberdade, na relação. Mas é, no entanto, muito delicado o limite da prudência no uso desse poder, onde cada um é responsável pelas consequências de suas intenções e ações, nos conflitos derivados que, de qualquer modo, daí se desdobram ou se desencadeiam.
O Poder da Intenção e a Causalidade Subjetiva
Lembrando que esses conflitos podem se apresentar ou se expressar, derivando de intenções e ações, na fase subjetiva e abstrata ou na fase objetiva e concreta.
Não precisam se materializar como ideações, atos e fatos manifestos, objetivos e concretos para serem considerados causas ou efeitos no âmbito dos conflitos.
Lembrar
Jesus de Nazaré quando ensinou: "Quem olhar uma mulher tão só com cobiça
egoísta impura, já maculou seu coração e produziu mau para ela"
(interpretado de Matheus 5:28).
A Reparação da Memória e o Subconsciente Arcaico
Praticar a
Reparação diariamente com todos os seres com quem tivemos relação conflituosa,
para sanear os registros conscienciais. Podemos também intuir, que, muito
embora não tenha existido presentes conflitos mais significativos, existem
conflitos remotos, compartilhados e relacionados, arquivados no nosso
subconsciente arcaico e no desses seres com os quais presentemente entretemos
relações, mais curtas ou duradouras, ou mesmo fortuitas e fugazes.
Existem relações rotineiras ou casuais, curtas ou mais duradouras, fortuitas ou procuradas, transitórias ou mais permanentes, determinadas ou indeterminadas, congênitas ou construídas, entre outros aspectos de consideração.
A Atenção e a Consciência Plena como Preventivos do Conflito
Manter a atenção e a consciência plena e presente instantânea, para minimizar e prevenir quanto possível o conflito nas relações, e também a consequente geração de sofrimento.
Não somos separados do próximo em relação, embora distintos, mas somos integrados organicamente em unidades, que podem funcionar sob o regime de atrito (conflito), que gera sofrimento, ou coordenação possível, que gera plenitude e harmonia.
Se existiu conflito, faz-se necessária a transmutação dos registros decorrentes por meio da "Prática de Reparação Interna", apresentada no artigo 4.
Os Registros Infecciosos: Nódulos de Conflito na Consciência
Essa reparação
interna busca resolver os registros conscienciais, que se tornam
subconscientes, que são conflituosos com os princípios superconscientes,
emanados da "Essência Eterna e Pura", imanente.
Na humanidade, quem, em meio ao conflito, pratica uma ação que gera sofrimento ao próximo, cria um registro subconsciente, qualificado pela intenção motivadora. Esse registro pode se tornar um nódulo infeccioso, cancerígeno, que um dia, ainda que em milênios, precisará ser saneado ou transmutado. Esses registros podem se tornar cumulativos, formando aglomerados infecciosos, que causam doenças psicossomáticas no Ser, qualquer que seja o nível de densidade do ciclo de existência em que transitoriamente se manifeste.
Daí a importância dessa reparação interior, buscando resolver conflitos de rejeição consciencial, internos, em função de registros subconscientes que contrastam com os princípios superconscientes, emanados da "Essência Eterna e Pura", imanente.
A Chave da Purificação: A Reparação Interior
Essa reparação
interior pode minimizar a necessidade da reparação exterior, circunstancial,
que são os efeitos no destino da causalidade acumulada pela série de intenções
aninhadas e ações praticadas.
Ações beneméritas e o próprio sofrimento, que vêm como resultado de causalidade acumulada, funcionam como um mecanismo de reparação exterior (a partir do "exterior") desses registros subconscientes infecciosos, por sobreposição de registros que poderíamos chamar "positivos", contrabalançando, compensando, saneando e transmutando a rede cumulativa cancerígena de registros "negativos".
Daí a importância dessa reparação interior que auxilie a evitar a acumulação de registros internos conflituosos, cancerígenos, e que possa sanear registros passados que vão aflorando, saneando a personalidade dos registros indesejáveis que se acumularam no presente ciclo de existência.
Então, essa reparação pode ser aplicada a registros mais próximos, na vivência diária, ou também naqueles que remontam mesmo à primeira infância. Pode ser aplicada, assim, a todas as relações entretecidas no dia, após a avaliação das intenções motivadoras das ações e os efeitos de sofrimento que possam ter causado em outros seres.
São as intenções que qualificam as ações, então cada ação só pode ser avaliada dentro do contexto. Assim, não se aplica, porque não existe, uma "Ética Universal", dissociada do contexto, mas apenas ética relativa contextual aplicada. Nesse sentido, o "Bem e o Mal" não existem, como lista de caracterização absoluta, distinguindo entre ações boas e ações más, aplicada de forma fácil, alheia à complexidade do contexto, em uma categorização universal.
Ética Contextual e o Balizador Interno
O "Bem e o Mal" são de difícil classificação na vida prática aplicada, porque não estão dissociados da contextualização, que inclui as intenções motivadoras.
As intenções são internas, e, assim, sua mensuração precisa e absoluta pelos outros é quase impossível. Assim, só o próprio Ser pode tentar avaliar as suas intenções e ações, animado de Inspiração no suporte da Centralidade.
O Absoluto, de certa forma, está "dentro" do próprio Ser, e não no "exterior", pois é imanente, como "Essência Eterna e Pura", que é a própria expressão eterna individuada do Ser, que se expressa no superconsciente como princípios imanentes, que podem ser balizadores, como referência interna, no processo de autoavaliação das ações e suas intenções motivadoras.
Não que não "exista" também uma expressão transcendente do Absoluto, mas esse Absoluto não é nem um pouco "intervencionista" como a mente humana muitas vezes concebe na sua busca de um suporte de segurança que simplifique a Complexidade presente nos desafios do Destino.
Mas um dia, essas crenças necessárias serão permutadas, na construção de uma "Ciência de Ética e Estética nas Relações", onde o próprio amor poderá ser calculado e provado também por aplicação de metodologia e fórmulas matemáticas... E esses tempos estão mais próximos do que se possa imaginar...!
Orientações Práticas e os Alvos da Reparação
Devemos
procurar, então, listar os seres com quem entretemos relações no dia, avaliar
os conflitos, as ações que produziram conflitos, as intenções que as animaram.
Depois, praticar, por grupos de seres ou grupos de ações ou intenções, a Reparação Interna Coletiva que será apresentada depois dessa introdução.
Quando aflorarem ou mesmo forem resgatadas, podemos também avaliar ações e intenções passadas, ou mesmo relações em tempos mais recuados nos substratos da memória, registros arcaicos, de outros ciclos de existência. A partir daí, podemos utilizar os procedimentos já descritos.
Na prática da Reparação Interna, dirigir-se à "Essência Eterna e Pura", imanente, e à "Personalidade", manifesta. A primeira é eterna e não substancial; a segunda transitória e substancial. A personalidade pode ser vista como a "ponta do iceberg" de um agregado de memórias, que integram o subconsciente, que tem uma contraparte relativa ao presente ciclo de existência, e uma contraparte arcaica, relativa à série de ciclos existenciais predecessores, inclusive nas mais diversas expressões evolutivas da Vida.
A Reparação Interna se dirige, então, às Essências Imanentes e às Personalidades manifestas dos Seres listados, embora se possa fazer essa prática também para cada Ser com quem tivemos alguma relação conflituosa, no presente ou no passado (próximo ou arcaico), de forma individualizada.

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