12 - Tao, o Caminho.

 

Tao, o Caminho.

Conflito e Sofrimento como estado intrínseco do Mundo.

Nesse biocosmo, vivemos em um estado de permanente sobressalto, com a perspectiva de ameaça à estabilidade, sobre o impacto constante do conflito e do sofrimento, que lhe são intrínsecos e inerentes no contexto da combinação da causalidade e da casualidade, da determinação e da indeterminação, da previsibilidade e da imprevisibilidade.

Viver torna-se, assim, quase sempre um equilíbrio entre o esforço de adaptação e as ações possíveis e pertinentes para a tentativa constante de estabilizar ou melhorar as circunstâncias.

A Libertação como quintessência da Liberdade.

A liberdade é um sonho, quase um mito, pois existe de forma precária para qualquer Ser nesse biocosmo diante do conflito e do sofrimento intrínsecos.

Assim, a liberdade plena (libertação) só é possível se transcendermos esse biocosmo, o que implica dizer: se transcendermos o conflito e o sofrimento. Não precisamos nem dizer que nem a morte traz essa transcendência, pois enquanto existirmos nesse biocosmo, ou seja, estivermos ancorados em sua Substância, ainda que na sua mais sutil quintessência ainda estaremos sujeitos aos últimos condicionamentos ou constrições relativos ao espaço-tempo.

Por isso, não dissemos que a liberdade plena viria "quando" transcendermos esse biocosmo para sermos, pois sempre estivemos sendo, na realidade essencial como Essência Eterna e Pura.

Não se trata, portanto, do "quando", do tempo, pois o conflito e o sofrimento estarão sempre presentes, em menor ou maior grau, como desafio de aprendizagem (expansão e aprofundamento de Complexidade).

O Caminho de Libertação.

Essa transcendência possível não é no tempo, como algo que se vai alçar com o tempo, pois esta pressupõe o próprio fim do tempo, ou seja, a transcendência desse biocosmo.

Assim, enquanto durar esse biocosmo ou enquanto estivermos ancorados na sua Substância, o que podemos fazer em relação à liberdade, que pressupõe a transcendência do conflito e do sofrimento?

A única resposta que nos surge: "trilhar o Caminho, o Tao".

O Tao significa o Caminho, o caminho da libertação. Mas também significa o Inominável, o Absoluto, o Eterno, que é como Unidade Absoluta e também é multiplicidade de Expressões, como Essências Eternas e Puras, que são além do tempo e do Espaço, além da Substância, e, assim, além do conflito e do sofrimento, integradas como unidade no Absoluto.

O Caminho do Tao.

Mas, o que é esse Caminho, nesse sentido do Tao?

A única resposta que nos surge: "consciência do Eterno é Caminho de libertação, o Tao".

O que é possível até a liberdade plena, com o fim das identificações com as restrições do espaço-tempo, na Realidade Substancial, é tomarmos consciência do Eterno, trilhando o Caminho, o Tao, ou seja, tomando consciência de nossa eternidade imanente, na Realidade Essencial, que transcende tempo, espaço, circunstâncias.

Pensamos que nessa transcendência possível, de um ponto de vista eterno, os detalhes e acidentes da existência terão menor impacto na nossa Centralidade e Paz interna, em uma progressiva compreensão dos Princípios do funcionamento do Absoluto.

Nessa transcendência, vivemos duplamente: a vida transitória e a vida eterna, ou seja, a preservação da existência, pois esse é o instinto da vida, e a manutenção da consciência da eternidade imanente, indestrutível e inabalável, por que não sujeita às circunstâncias, e de fato, a única vida permanente, real, verdadeira, meta e sentido que buscamos trilhando o Caminho, o Tao.

Aloplastia (modificação do ambiente) x Autoplastia (adaptação ao ambiente).

Desse ponto de vista de consciência do Eterno Imanente, na preservação da vida transitória, procuraremos modificar ou nos adaptar às circunstâncias, preservando-se no que for possível dos conflitos, que geram sofrimento. Adaptar-se ou promover as ações possíveis para a manutenção de circunstâncias mais favoráveis à vida, e mesmo contornando ou afastando-se dos focos ou agentes de conflitos e sofrimento, na medida do possível.

Dissemos quando for possível, porque às vezes o único recurso é se adaptar, até mesmo dentro de uma situação de conflito ativo inevitável.

A Dualidade de Estrutura holográfica do Ser.

Precisamos, o quanto possível nos preservar, pois mesmo a vida transitória é uma joia preciosa e de valor inestimável. Nem a vida eterna é mais valiosa que a vida transitória, ambas são valiosas, todas tem o seu sentido e valor, pois ambas são próprias desse estado de Existência.

O ser humano é como o Tao: tem uma constituição transitória, relativa; e também eterna, absoluta.

Nesse sentido, o ser humano é também um holograma do Tao. É um holograma no sentido de que "a parte está no todo e o todo está na parte".

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